Das
tarefas que os sócios de um escritório de advocacia enfrentam no seu dia-a-dia,
apontamos, como mais espinhosas, aquelas que dizem respeito à atração de seus profissionais,
à retenção de seus talentos jurídicos, à motivação dos “trabalhadores do
conhecimento”, como diz Peter Drucker.
Dentro
de um escritório de advocacia, os advogados são os detentores do capital
intelectual. São eles que, na grande maioria das vezes, se relacionam, conhecem
detalhes da atividade do cliente, e detém informações privilegiadas. São eles
que desempenham funções críticas para a banca. São eles os mais valiosos ativos
e a maior fonte de vantagem competitiva de uma sociedade de advogados.
Uma
das reflexões mais importantes a se fazer está relacionada à seleção e contratação de advogados e
estagiários. Uma boa seleção diminui a margem de erro na contratação de
profissionais inadequados. Hoje há um consenso sobre não mais bastar apenas competência
técnica para que um profissional seja admitido numa equipe jurídica: é preciso
saber um pouco de tecnologia, de negociação, de economia, de gestão. Os sócios
também precisam avaliar que tipos de comportamentos, valores e hábitos são mais
condizentes com a cultura e a filosofia de trabalho do escritório. É preciso
gastar tempo com isso, ao contrário a perda de dinheiro e energia será
inevitável.
Quanto
mais profissional for a seleção e a contratação, quanto menor for o índice de
Q.I. (“quem indica”), menos conflitos no futuro e maior a probabilidade de se
construir uma equipe eficiente e talentosa que agregue valor aos serviços
prestados pelo escritório a seus clientes. A profissionalização da gestão de
talentos pode ser feita em casa, com a contratação de um profissional
capacitado para tal, ou então pode ser transferida a uma empresa especializada
em recrutamento. A seleção pode incluir redação, provas de inglês, português,
conhecimentos gerais e jurídicos, além de entrevistas com psicólogos e
advogados ou sócios do escritório.
Muito
bem. Uma vez contratado o novo advogado ou estagiário, é preciso tratar de sua retenção. Compreender quais os fatores
motivadores de tais profissionais é a chave para diminuir o turnover e construir uma equipe efetiva
e de alta performance. Entender tais fatores se torna condição sine qua non para que o escritório
atinja seus objetivos estratégicos de médio e longo prazos.
Mas
afinal de contas, o que verdadeiramente motiva um advogado? Status de sócio? Boa remuneração?
Trabalhos desafiadores? Boas condições de trabalho? Participação nas decisões?
Reconhecimento de suas realizações? Segurança? Prêmios? – Talvez um pouco de tudo isso.
E
exatamente por não haver regra, eis que as necessidades de cada ser humano diferem
de um para outro, é que os sócios do escritório devem estar atentos ao perfil
sua equipe e ao que querem dela no decorrer do tempo.
Uma
boa providência é desenvolver um plano de carreira que permita o crescimento
profissional, baseado em critérios objetivos, transparentes e mensuráveis. É
importante que o plano estimule um bom ambiente de trabalho e favoreça o
comprometimento da equipe com a qualidade do trabalho e no atendimento ao
cliente.
A
carreira de um advogado inicia quando ele ainda é estagiário e pode atingir o
nível de sócio patrimonial, passando por associado júnior, pleno, sênior e
sócio não-patrimonial. Evidentemente que, de estagiário a sócio patrimonial
muita coisa muda na vida do profissional, desde o tamanho de sua
responsabilidade técnica até sua remuneração. Estima-se que em sete anos de
formado um advogado possa construir uma carreira sólida e bem sucedida.
A
remuneração deve ser vista como compensação pelos serviços prestados. Uma boa
fórmula de remuneração deve ser composta uma parte fixa, com valores de
mercado, e outra variável que premie o desempenho e a produtividade. Nos
primeiros anos da carreira, a parte fixa será maior que a variável. Na medida
em que o profissional sobe seus degraus, diminui o fixo e aumenta o variável.
Mas
para sair de estagiário e chegar ao status
de sócio patrimonial de um escritório que se preocupa com a formação de sua
equipe, muita água tem que passar debaixo da ponte. Uma das ferramentas mais
eficientes para “medir essa quantidade de água” é a avaliação de desempenho.
Com
ela, será possível avaliar e medir como cada profissional está desempenhando
seu papel dentro do escritório, o quanto está, ou não, correspondendo ao que ele
espera seja realizado no nível de carreira que ocupa. Alguns critérios a serem
utilizados na avaliação de desempenho estão relacionados às competências
funcionais (volume, prazos, técnica), de relacionamento (com o cliente, com
colegas, com subordinados, com superiores, network), emocionais (equilíbrio,
pró-atividade, bom senso), de auto-desenvolvimento (manutenção e transmissão do
conhecimento, aperfeiçoamento), e de valores (ética, honestidade, lealdade).
Também é importante avaliar a postura, a busca por clientes, o marketing do
escritório, a publicação de trabalhos, títulos acadêmicos, a capacidade
gerencial, e outros fatores que o escritório julgar importantes.
Desta
forma, de acordo com a pontuação obtida a cada período (a sugestão é que a
avaliação seja feita uma ou duas vezes ao ano), o advogado poderá subir um
degrau na carreira.
É
importante também medir a produtividade, através da anotação mensal do número
de horas úteis trabalhadas, não importa se faturáveis ou não. Dependendo da
média mensal, esta também receberá pontuação na avaliação de desempenho. Quanto
maior a média, maior a pontuação.
Figurando
também como um poderoso instrumento na retenção dos talentos está o treinamento
e desenvolvimento (T&D). Investir em treinamento é estratégico e
prioritário, uma vez que alavanca negócios e resultados. Através de programas constantes
de aperfeiçoamento e reciclagem é possível fortalecer a equipe, especialmente
se o escritório passa por um processo de mudança organizacional ou expansão. O
treinamento deve ser encarado como um processo e não como um evento isolado. Esse
processo não tem nenhuma novidade, bastando seguir corretamente a receita
clássica: planejamento, organização, controle, execução (treinamento interno,
externo, in-company, a distância
etc.), e avaliação.
Assim,
se um escritório deseja impulsionar sua atividade, reter talentos, inovar mais
que a concorrência é recomendável que crie o melhor ambiente possível para que
a inteligência e a criatividade de seus profissionais se desenvolva. Do
contrário, o custo pode ser o de vagar no mundo paralelo e inóspito da
invisibilidade. Cabe a você decidir!!
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